Temas de Psicologia

Janeiro 4, 2008

Psicoterapia – Relação, Técnica, Soluções?

Filed under: Familiar/Sistémica,Psicoterapia,Simpósios — S. F. @ 10:01 am

Ao fim de quase três meses de jejum pelos lados do Temas de Psicologia, neste regresso é inevitável partilhar os desejos de muito sucesso em 2008!

Hoje, enquanto arrumava umas pastas, acabei por me dedicar a folhear uma onde guardo todos os apontamentos das várias conferências, simpósios, workshops e etc. que frequentei. E parei neste:

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Técnicas de Intervenção Psicoterapêutica
Simpósio Internacional que decorreu na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Lisboa, a 4 de Junho de 2004
(organização: FORSAÚDE, Centro de Formação e Saúde Unipessoal, Lda. e SAFI, Serviço de Atendimento Familiar e Individual da FPCEUL).

Neste simpósio, os diferentes oradores insistiram na importância da Relação Terapêutica entre o psicólogo e a pessoa que procura ajuda. Mais importante que as técnicas ou a abordagem teórica, é a relação que representa o mais central na terapia. O Mestre José Gonzalez sublinhou a importância do improviso, da criatividade e da capacidade para falar a linguagem da pessoa. A respeito da eterna questão ” e o psicólogo, como é que controla os seus sentimentos, as suas emoções?” recordou que o terapeuta, antes de saber controlar as suas emoções, deve conhecer os seus limites e nunca deixar de ser humilde.

O Mestre Wolfgang Lind, um dos professores cujas aulas mais marcaram o meu percurso académico, falou da terapia breve orientada para as soluções, salientando algo essencial:

“Não existem sistemas funcionais ou disfuncionais. Mesmo um sistema disfuncional tem momentos em que funciona (…) por isso, mais do que as causas dos problemas, devemos procurar como resolvê-los, procurar a diferença que faz a diferença, fazer da excepção a nova regra. A solução vem do próprio sistema, a solução vem antes do problema, é a outra face do problema. (…) Existem diferentes possibilidades de solucionar algo. A ênfase nos recursos, no que melhorou, nas soluções, no presente e futuro, no positivo, na mudança. Problemas puxam problemas, soluções puxam soluções.”

Poderia continuar… falaria das intervenções do Professor Doutor Pina Prata e do que ele falou acerca da criatividade na psicoterapia, da imprevisibilidade e da terapia de rua, da delicadeza e da relação como alicerce da terapia. Mas isso fica para outra altura…

Bom Ano! Aqui nos encontraremos em 2008! )

Junho 18, 2007

O Palco Sistémico (seminário)

(Este post vem antecipar uma re-organização de vários dossiers. Achei que seria boa ideia!)

Todos os anos, a turma de Modelos Sistémicos de Intervenção, do Núcleo Sistémico da FPCE, Universidade de Lisboa, organiza um seminário, durante o qual os alunos reflectem sobre as diferentes experiências dos seus estágios e fazem a ponte, a articulação entre a teoria e a sua aplicação prática em diferentes contextos.

O seminário de 2004, realizou-se no dia 28 de Janeiro, sob o tema “O Palco Sistémico: A Dança dos Diferentes Contextos“.image002.jpg

O programa está disponível aqui: http://palcosistemico.no.sapo.pt/.

Logo no programa, destaco o seguinte:

“No coração da terapia sistémica reside a suposição de que os seres humanos, na sua interacção uns com os outros, fazem convites para se juntarem numa ‘DANÇA’ de adaptação mútua”. (Jones, 1998/1999)

O principal destaque desse seminário foi a presença, na abertura, do Professor Doutor Daniel Sampaio, e no encerramento, do Professor Doutor Pina Prata. Só quem já teve o privilégio de ouvir o Professor Pina Prata é que pode compreender a assistência em absoluto silêncio e concentração, a emoção e, no final, os minutos que passam a correr enquanto todos aplaudem de pé. Só quem já assistiu é que compreende que meia hora a ouvi-lo passa como se fossem efémeros cinco minutos. Sinto-me privilegiada…

Seguem-se algumas palavras proferidas pelo Professor Doutor Pina Prata, no seminário sistémico de 2004. São poucas, muito poucas as palavras que consegui escrever, tal era a vontade de o olhar incessantemente, acompanhar os seus gestos, e ouvi-lo sem qualquer risco de desatenção.

Um psicólogo deve saber ouvir, mas também deve saber falar… mas falar pouco… pouco mas com o coração. Deve ter um coração pensante. Deve conseguir proporcionar um ‘momento de alívio’.

“A humildade é a vertente mais alta da inteligência.”

Em futuros posts voltarei a falar deste Professor, principal responsável pela minha indecisão entre o Núcleo Sistémico e o Núcleo de Saúde. Acabei por optar por este último, mas essa opção em momento algum representou um corte com a Psicologia Sistémica e Familiar, muito pelo contrário. Considero-a um dos principais alicerces que regem a minha ‘abordagem’ como Psicóloga. É, por isso, um tema que continuarei a desenvolver.

Aqui nos encontraremos! 🙂

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