Temas de Psicologia

Outubro 5, 2009

Homossexualidade e Adopção – II

Filed under: Actualidade,Crianças / Adolescentes,Família — S. F. @ 11:27 am

Depois de ter dedicado um post a este tema há uns meses (aqui), hoje chamo a atenção para este artigo (segue abaixo)do Diário de Notícias (Jornalista Céu Neves), sobre a tese “Homoparentalidade: estudo da adequação homoparental” (Vanessa Ramalho, orientação de Eduardo Sá). Vale a pena ler com atenção. Como diz a autora da tese, este estudo pode ser um bom ponto de partida para que se abra o debate na sociedade sobre esta questão.

Homossexuais são pais “tranquilos e seguros”

por CÉU NEVES

Psicóloga conclui que as crianças podem ter vantagens em ser criadas por dois pais ou duas mães. Problemas estão na forma como a sociedade estigmatiza estas famílias.

Os homossexuais, em geral, não são “neuróticos e ansiosos”. Pelo contrário, são “afectuosos, tranquilos, confiantes e firmes nas decisões”, características que fazem deles melhores pais do que muitos heterossexuais, mais “neuróticos, ansiosos e inseguros”. Conclusões surpreendentes de uma tese em psicologia sobre homoparentalidade, que desfaz estereótipos como o de que uma criança criada por homossexuais tem maiores probabilidades de ser gay ou lésbica.

A psicóloga Vanessa Ramalho diz que a “identidade sexual da criança é formada muito precocemente, muito antes do bebé conseguir distinguir um homem de uma mulher. O que conhece são os cuidadores e faz uma síntese das características que gosta e que não gosta neles”.

Segundo a tese daquela psicóloga, “Homoparentalidade: estudo da adequação homoparental”, os homossexuais revelam ser bons cuidadores. “Verificam-se características idiossincráticas e comportamentos educativos adequados, promotores de boa parentalidade, que assim assumem índices desenvolvimentais e relacionais, indutores de adaptação emocional e maturidade psicológica.” E vai ao ponto de afirmar que pais homossexuais até podem trazer vantagens para a educação de uma criança, até porque um filho resulta, em geral, de muita ponderação e tempo de espera.

Ana (nome fictício) é lésbica e foi mãe de gémeos através de uma inseminação artificial no estrangeiro. E acredita que a homossexualidade pode ser uma vantagem. Considera que “um pai/ mãe homossexual que seja assumido é, à partida, um indivíduo mais flexível, de mentalidade mais aberta ao mundo e ao que possa fugir do padrão instituído pela sociedade”.

Ana recorda a “felicidade imensa” que foi para os seus pais o nascimento dos seus filhos, numa altura em que “já tinham perdido a esperança de ter netos”, aceitando “naturalmente” a namorada e a relação que ela tem com os gémeos. E conclui: “Parecem-me crianças felizes e despreocupadas e, apesar da pouca idade, já perceberam que a mamã não tem um marido e que não têm um pai nos moldes da maioria dos amiguinhos, mas sinto que vivem isso de uma forma natural, porque eu e a minha família isso lhes transmitimos.”

Manuel (igualmente nome fictício) tem outra história de paternidade para contar. O filho, de 12 anos, resultou de um casamento heterossexual. A criança viveu com ambos os pais até aos sete anos, altura em que o pai se assumiu como gay. Ficou a viver com a mãe, mudando-se no último ano para a companhia do Manuel e do companheiro por “uma questão de logística”.

“A parentalidade não se mistura com a orientação sexual. Era pai quando tinha um comportamento heterossexual e continuei a ser pai depois de ter um comportamento homossexual”, sublinha, acrescentando: “A questão só se coloca na gestão extraparedes.”

Uma preocupação que vai de encontro ao estudo de Vanessa Ramalho. A investigadora diz que “a estigmatização da sociedade é que cria obstáculos à homoparentalidade ou à adopção por homossexuais“. E defende campanhas de sensibilização sobre estas novas famílias.

Tem sido esse um dos objectivos das associações de gays, lésbicas, bissexuais e transgenders, como a Ilga. Paulo Côrte-Real, o seu presidente, salienta que o estudo “reforça o que é de consenso científico a nível internacional”. Ou seja, “não se justifica a proibição da adopção e da reprodução medicamente assistida por casais homossexuais“.

Vanessa Ramalho considera o seu estudo “um contributo para o debate do tema”, reconhecendo a limitação da amostra: 25 heterossexuais e 25 homossexuais. Mas a sua tese, orientada pelo pedopsiquiatra Eduardo Sá, é o primeiro trabalho do género em Portugal, dada a dificuldade em inquirir esta comunidade. É que os homossexuais ainda não se sentem preparados para darem a cara!

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Março 25, 2009

Amor e Disciplina

Filed under: Actualidade,Autores,Crianças / Adolescentes,Família — S. F. @ 10:13 pm

Ontem descobri este blogue, que recomendo vivamente: Desabafos De Um Médico. E algures o autor recorda um dos grandes nomes dedicados à infância na actualidade – Brazelton – e sublinha a mais simples (e quiçá, mais completa) das suas recomendações:

“As crianças precisam de amor e disciplina.”

Concordo absolutamente! Hoje vemos pequenos (e já grandes) tiranos, habituados a terem tudo e todo o mundo a rodar à sua volta porque lhes faltou isso – amor e disciplina. Falta disciplina, falta aos pais serem pais.

E hoje leio aqui uma entrevista fabulosa, justamente sobre isso. Com uma postura se calhar, aparentemente, mais radical, mas com a mensagem que importa – educar os filhos e amá-los passa necessariamente pela disciplina.

Vale a pena pensar nisto!

E, tentando manter as actualizações mais regulares, aqui nos encontraremos! 🙂

Março 2, 2008

Homossexualidade e Adopção

Filed under: Actualidade,Crianças / Adolescentes,Família — S. F. @ 11:03 pm

Hoje, no Jornal da Noite da SIC passou uma reportagem que abordava a questão da adopção por casais homossexuais, mais especificamente do facto de um casal homossexual não poder tornar-se uma família de acolhimento. Confesso que não acompanhei a notícia com muita atenção, espreitando apenas uma coisa ou outra. Mas é um bom tema para partilhar aqui.

A adopção por casais homossexuais é uma questão polémica e controversa. Foi amor-maos-1.jpgabordada já no Fórum dos Psicólogos, num tópico em que profissionais e estudantes da área da psicologia deram a sua opinião sobre o assunto. Obviamente, muitas outras vozes poderiam dar opinião: juristas, políticos, assistentes sociais, educadores, etc. E, acima de tudo, deveriam ter mais voz neste assunto, a meu ver, os principais interessados: as milhares de crianças institucionalizadas que esperam a adopção.

No Fórum escrevi assim:

Pois bem, não pretendo ver a situação em termos “do mal o menos”, porque não considero que seja prejudicial para a criança a adopção por um casal homossexual. Acredito que esses casais podem amar e dedicar-se a essa criança do mesmo modo que os casais heterossexuais e podem transmitir-lhe o conceito de família além do tradicional “pai, mãe e filhos”. A sociedade actual é uma sociedade plural – o conceito de família já não é o mesmo, as famílias têm outras características e necessidades.
É óbvio que, possivelmente, essas crianças podem vir a sofrer com a crueldade da discriminação. Mas isso será inevitável enquanto a sociedade não encarar essa adopção como “normal”; e essa normalidade só se atingirá com o confronto, com a existência real destas situações. Além disso, quantas pessoas, incluindo muitos de nós, não sofreram discriminações por variados motivos – ou porque usavam óculos, ou porque eram mais tímidos e calados, ou porque os pais se divorciaram, ou porque sim simplesmente? O exemplo do divórcio é flagrante – foi escandaloso, as crianças sofriam com discriminações e uma sociedade que achava “coitadinho, não tem o pai/mãe em casa…” e agora já é aceite e não se rotula a criança como futuro “traumatizado”. Relativamente aos modelos masculino e feminino, concordo que são importantes. Mas vejamos – os modelos não se encontram apenas dentro de casa; existem avós, tios, amigos, etc.etc.etc.; senão, como seria com as crianças cuja mãe ficou viúva precocemente, por exemplo? que modelo masculino teriam?

Deixei muitas questões no ar, é uma opinião incompleta. Mas não pretendo fechá-la, também. Estou sempre aberta à reflexão, estou sempre disponível para partilhar, discutir e debater. Fica a minha opinião, mais como pessoa do que como psicóloga, a favor da adopção por homossexuais mas, como em todas as mudanças e uma vez que temos de ter sempre em conta o supremo interesse e bem-estar das crianças, devemos agir com cautela, paciência e rigor. A nossa sociedade precisa de uma re-educação no sentido da tolerância e da não discriminação, e esta é a principal e mais longa batalha que se tem de travar.

Sejam bem-vindos a este espaço todos os que quiserem enriquecer esta discussão, apresentando opiniões, pontos de vista e experiências, e espero que possamos desenvolver um debate neste espaço, debate esse que em momento algum aceitará comentários discriminatórios, ofensivos e radicalistas.

Aqui nos encontraremos! 🙂

(Nota: imagem encontrada na net, desconheço autoria)

Junho 11, 2007

Comédias e Dramas no Casamento

Filed under: Casamento/Divórcio,Família,Livros — S. F. @ 10:50 pm

Mais um livro. “Comédias e Dramas no Casamento“, de Gugliemo Gulotta (Relógio D’Água Editores) conduz-nos pelas dificuldades do casamento, sem perder o bom humor. Logo na capa temos a descrição: “Psicologia e B. D. como guias na selva conjugal“.

Com banda desenhada muito divertida e com textos muito fáceis de ler. Quiçá, um excelente livro para explorar, rir e discutir a dois.

Nota especial para o prefácio – de Paul Watzlawick (autor d’A Pragmática da Comunicação Humana).

Na introdução, somos recebidos assim: “Este livro destina-se a quem é casado, a quem quer casar-se, a quem não tem vontade de o fazer e a quem está, ainda na dúvida. Cada um encontrará os argumentos úteis para melhorar a sua vida conjugal, para compreender que isso é impossível, para superar as suas dúvidas e, também, para justificar a própria decisão de se manter afastado de tanta complicação.

“…ao comunicar com alguém devemos inteirar-nos de que as mensagens que enviamos sejam as mesmas que o outro recebe, e para obter este resultado devemos evitar generalizações inúteis, a ideia de que o outro compreende obrigatoriamente e vice-versa.”

“Mais vale uma boa explosão que o eterno ruminar dos mesmos ressentimentos; na condição, evidentemente, de discutir factos concretos e não impressões vagas, subitamente transformadas em verdades absolutas.”

 

Aqui nos encontraremos! 🙂

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