Temas de Psicologia

Setembro 4, 2008

Ordem dos Psicólogos

Filed under: Actividade Profissional,Actualidade — S. F. @ 2:31 pm

Diário da República, 1ª série – Nº 171 – 4 de Setembro de 2008

Lei nº 57/2008 de 4 de Setembro

Cria a Ordem dos Psicólogos Portugueses e aprova o seu Estatuto

Venham os próximos capítulos 🙂

Julho 19, 2008

Ordem dos Psicólogos

Filed under: Actividade Profissional,Actualidade — S. F. @ 3:42 pm

A notícia tão aguardada.

Hoje, dia 18 de Julho de 2008, foi aprovada, pela Assembleia da República, a Ordem dos Psicólogos.

O desejo tornou-se realidade.

A Direcção da APOP

Outubro 15, 2007

Desemprego = Desespero ?

Filed under: Actividade Profissional — S. F. @ 3:36 pm

Acompanho com regularidade o Fórum dos Psicólogos. Vou, por lá, assistindo a discussões, ofensas entre colegas, faltas de respeito… Todos se acusam mutuamente pelo estado em que está a Classe enquanto Profissão – o desemprego, a exploração, o “voluntariado“. Aponta-se o dedo às instituições privadas, aponta-se o dedo a quem faz “voluntariado“, aponta-se o dedo na tentativa de responsabilizarmos alguém. Estamos no desemprego ou em situações precárias de trabalho e sentimo-nos a perder esperanças e forças, somos incapazes de ter o auto-controlo emocional que os outros (os leigos?) esperam de nós. Discutimos com pais, irmãos, tios e amigos. Esgotamos a paciência dos namorados, choramos nos seus abraços. E somos perseguidos com a voz: Nem parece que és Psicólogo(a)! E, na nossa frustração, vamos à procura de alguém responsável por esta avalanche de situações que somos quase incapazes de enfrentar. Será assim? Estará a classe numa espécie de frustração colectiva?

O meu exemplo: licenciatura (pré-bolonha!) concluída em Outubro de 2006. Uma extensa batalha – currículos entregues pessoalmente, enviados por correio e por email, candidaturas espontâneas, propostas de estágio profissional, respostas a anúncios, apresentação de propostas… Corridas quase diárias para os CTT na tentativa frustrada dos PEPAL, quilómetros percorridos em vão para entrevistas de 3 ou 5 minutos. Respostas negativas, ausência de respostas. Tenta-se um estágio com uma mínima bolsa, na tentativa de alargar conhecimentos e competências… O desespero mantém-se porque essas bolsas mínimas não alimentam ninguém e o tempo esgota-se perdendo-se a oportunidade de continuar a entregar propostas em mão. Passou-se um ano e houve apenas um investimento num Congresso – a tentativa de formação contínua que é asfixiada pela falta de dinheiro. Vou acusar quem? Vou apontar o dedo a quem pelo meu falhanço? Revejo inúmeras vezes o currículo à procura do que falha, escrevo cartas de apresentação diferentes consoante o lugar a que me apresento em vez de repetir a mesma história vezes sem fim de forma impessoal e desadequada ao contexto, consulto diariamente todas as páginas de emprego que conheço… O que estará a falhar?

Serão estas as questões com que se confrontam os colegas na mesma situação?

Aqui nos encontraremos! 🙂

Setembro 10, 2007

Jornal de Notícias – 10/09/2007

Filed under: Actividade Profissional,Actualidade — S. F. @ 2:59 pm

Tomo a liberdade de publicar aqui o artigo escrito por Helena Norte, para o Jornal de Notícias de hoje.

Já faltam mais chamadas de atenção assim.

Aqui fica também o link onde podem encontrar o original:

 http://jn.sapo.pt/2007/09/10/sociedade_e_vida/psicologos_centros_saude_reduziriam_.html

PSICÓLOGOS NOS CENTROS DE SAÚDE REDUZIRIAM A PROCURA E A DESPESA

Helena Norte

Psicólogos nos centros de saúde reduziriam a procura e a despesa

A presença de mais psicólogos nos centros de saúde poderia reduzir substancialmente a procura excessiva de consultas e até poupar cerca de 20% nas despesas. A razão é simples quem mais procura os serviços de saúde são pessoas oriundas de famílias problemáticas e sem suporte social, cujas queixas, em grande parte dos casos, têm causa psicológica ou social, conclui um estudo sobre os grandes consumidores de cuidados de saúde.

“Os membros de famílias problemáticas, isto é, com perturbações quer do foro psicológico – como depressão e ansiedade -, quer de dimensão biológica, são quem mais procura os serviços de saúde”, explica ao JN Maria Graça Pereira, docente do departamento de Psicologia da Universidade do Minho e co-autora da investigação realizada no âmbito do Grupo de Estudos da Família. Ou seja, quem sofre de stresse familiar, doenças psicológicas e sintomas físicos sem causa biológica aparente, bem como as pessoas viúvas, solitárias e com baixo nível económico, tende a ir mais ao centro de saúde.

Embora não existam estudos sobre a realidade portuguesa, numerosas investigações realizadas nos Estados Unidos, por exemplo, revelam que metade dos doentes procura o seu médico de família com sintomas atribuídos a stresse, sem que seja possível identificar claramente a origem. Mais só em 25% dos doentes que apresentam sintomas como dor de cabeça, insónias, fadiga, dores no peito e abdominais é que se encontra uma causa médica. Se a tudo isto se somar o facto de 70% das pessoas com patologias psiquiátricas apenas contar com a rede de cuidados básicos, facilmente se compreende a importância da integração de outros profissionais nesses serviços.

A pesquisa “Os grandes consumidores de consultas médicas um estudo de família” mostrou que, quando a coesão (grau de proximidade entre os membros da família) é fraca e os níveis de envolvimento afectivo e de comunicação são baixos, a procura dos serviços de saúde é maior, sublinha Maria Graça Pereira.

Outro indicador de saúde é o suporte social, ou seja, a existência, ou não, de uma rede de apoio, formada por familiares, amigos e vizinhos ou baseada na comunidade (lares, centros de dia, programas ocupacionais). “As pessoas que vivem mais sós vão ao centro de saúde nem que seja porque sabem que têm companhia na sala de espera”, explica a terapeuta familiar.

A presença de psicólogos nos centros de saúde poderia ajudar não só a tratar dos problemas de foro psicológico e somático, mas também algumas das doenças que mais matam em Portugal, como as cardiovasculares, a diabetes e até alguns tipos de cancro. Isto porque, tratando-se de patologias relacionadas com estilos de vida, o apoio de um psicólogo é fundamental para ajudar a alterar certos hábitos e optimizar a adesão à terapêutica, sublinha Maria Graça Pereira.

Nos EUA, constatou-se que a aposta em programas de terapia familiar e na colaboração entre médicos e psicólogos, ao nível dos cuidados de saúde primários, traduziu-se numa redução de 21% nos custos. Porque diminuíram as consultas de reforço e a prescrição de exames de diagnóstico e de medicamentos, explica a professora.

A integração de psicólogos em equipas multidisciplinares nos centros de saúde traria ganhos imediatos, mas também a médio e longo prazo, defende Telmo Baptista, presidente da Associação Pró-Ordem dos Psicólogos. “Muitos doentes poderiam beneficiar de uma intervenção que combinasse medicamentos e psicoterapia, de forma a aliviar os sintomas e tratar das causas. Só adquirindo estratégias para lidar com dificuldades é que se previnem as recaídas”, defende o docente da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa. “Como não há respostas adequadas dos serviços de saúde, aumentam os gastos em psicotrópicos e as perdas de produtividade”, acrescenta. Ou seja, a prazo, ficava mais barato contratar psicólogos.

São apenas 98 no país

Há 98 psicólogos colocados nos centros de saúde, segundo os últimos dados da Direcção-Geral da Saúde. Isto significa que a cobertura, ao nível dos cuidados de saúde primários, é de um psicólogo para dez mil portugueses. Médicos e psicólogos concordam nos benefícios de uma abordagem multidisciplinar, tanto mais que as doenças de foro psicológico são cada vez mais frequentes. A eficácia do modelo biopsicossocial, que procura tratar cada paciente na sua totalidade sem desprezar a importância dos factores psicológicos e sociais na saúde física, é reconhecida também pelos profissionais de saúde portugueses. No estudo “Prática da medicina biopsicossocial”, de Graça Pereira e Alfonso Fachada, médicos e psicólogos concordam que a colaboração aproveita aos doentes.

Julho 26, 2007

Psicologia ou Psicologias?

Filed under: Actividade Profissional,Actualidade — S. F. @ 6:05 pm

83066.jpgHá uma questão que gera inúmeras discussões entre psicólogos e estudantes de psicologia e que se prende com a facilidade com que um licenciado numa determinada área da psicologia pode desenvolver actividade noutra área. O exemplo comum: licenciado em Psicologia (área Clínica) trabalhar em Recrutamento e Selecção.

Penso que, na falta de uma Ordem que regularize a situação dos Psicólogos em Portugal, cabe a cada profissional o reconhecimento das suas competências e das suas limitações, aceitando humildemente que, seja como for, estamos num contínuo processo de aprendizagem e aquisição e desenvolvimento de competências. Assim, um Psicólogo cuja pré-especialização foi em Clínica, tendo inclusivé realizado o estágio académico nesta área, deve sempre reconhecer as suas limitações na hora de enviar “a torto e a direito” currículos para cargos geralmente ocupados por colegas da área Organizacional e do Trabalho. Não quero com isto dizer, porém, que não o possa fazer. Antes de tudo, ao terminar a licenciatura (nos moldes anteriores à entrada em vigor do processo de Bolonha), somos Psicólogos. (ponto final, parágrafo!!!) A pré-especialização (área escolhida, por norma no 4º ou 5º ano da licenciatura) simplesmente nos prepara mais para a área x ou y, não sendo porém limitativa no que respeita às áreas em que podemos desenvolver actividade no futuro. Não concordo, aliás, que à saída da faculdade sejamos Psicólogos Clínicos, Psicólogos Educacionais, Psicólogos Criminais, Psicólogos Organizacionais, etc. Somos Psicólogos, apenas. O resto desenvolve-se com o trabalho, com a formação contínua que nunca deve ser descurada, com a prática.

Por outro lado, compreendo quando surge uma certa estranheza e revolta quando vemos psicólogos de outras áreas que não clínica, a exercerem actividade em clínica. (E acabo de tocar numa grande ferida do mundo da psicologia.) Compreendo porque, ao passo que enquanto psicólogos todos estamos preparados para lidar com pessoas, fazer avaliação psicológica, etc. etc. etc., a prática clínica exige competências que só se adquirem e desenvolvem com muito treino, começando inevitavelmente num estágio supervisionado (aliás, é indispensável a supervisão permanente). Note-se que não considero os profissionais vindos da área clínica mais ou menos psicólogos que os das restantes áreas. Aliás, não compreendo (nem concordo) que muitos colegas de clínica, imediatamente após a saída da faculdade, comecem a desenvolver actividade a título individual, sem qualquer supervisão ou acompanhamento.  Relativamente aos profissionais de outras áreas (organizacional, criminal…), acredito que podem desenvolver actividade em clínica, depois de terem a formação adequada (que não pós-graduações de 30 ou 40 horas!) e muita prática supervisionada.

Isto tudo para lembrar que nunca é demais reconhecer o quanto podemos aprender e que a área de pré-especialização escolhida na faculdade não representa nenhuma amarra, não é limitativa dos horizontes futuros.

Pessoalmente, sendo Psicóloga (da área clínica e da saúde) tenho concorrido para Estágios na área de Recrutamento e Selecção, estágios esses que me permitam aprender, desenvolver competências numa área que não a escolhida na faculdade, que me permitam alargar horizontes e crescer como profissional da psicologia. Não assumo à partida que sei tudo o que preciso para desenvolver actividade na área, porque não sei, antes assumo uma postura de aprendizagem e muita vontade de trabalhar. Concorro para estágios denominados curriculares – a remuneração limita-se a uma bolsa de subsídio de transporte e de alimentação – que dão essa oportunidade de aprendizagem.

Acredito que muitos colegas discordam da minha opinião, outros concordam, outros hão-de considerá-la incompleta. Este é, simplesmente, um espaço de reflexão e partilha de opiniões.

Aqui nos encontraremos! 🙂

Maio 8, 2007

E depois do curso? A questão do trabalho não-remunerado.

Filed under: Actividade Profissional — S. F. @ 3:55 pm

As primeiras ideias recaíram sobre livros ou temáticas em específico que tenham sido abordadas em conferências, seminários, formações ou até numa aula que até hoje se recorda. Enfim… Mas isso fica para futuros posts.

Por agora, falemos de um assunto que é recorrente entre os recém-licenciados e que preocupa também aqueles que estão a preparar-se para sair da faculdade.

Como é depois que se queimam/benzem as fitas?

A primeira palavra que ocorre é: DIFÍCIL! Muito difícil…
Vamos à procura e encontramos muitas portas fechadas. Alguns têm a sorte de ter uma boa ajuda, alguém que até consegue falar com o director de uma clínica/lar/empresa/colégio que até possa precisar de um psicólogo. Outros ficam a fazer estágio profissional nos locais onde fizeram estágio académico. Muitos acabam por se render a ofertas noutras áreas da psicologia (e esta polémica deixemos para outro post). Muitos mais vêm-se obrigados a abraçarem outras funções, outros trabalhos para ganharem algum dinheiro.

Face às dificuldades em exercer como psicólogo, muitos aceitam trabalhar de graça. Não gosto de utilizar o termo voluntariado, pois este termo refere-se a algo totalmente diferente! Refiro-me a situações precárias, em que psicólogos prestam serviços a instituições sem receberem qualquer remuneração, nem sequer ajudas de custo, como alimentação e transporte.

O que nos leva a aceitar estas situações?

Pessoalmente, opus-me e resisti a esta ideia durante muito tempo, especialmente durante o último ano da licenciatura e no período após o término da mesma. Acredito que, se todos os “voluntários” cessassem as suas funções, as entidades começariam a valorizar, começariam a respeitar e a remunerar pelos serviços prestados. Porém, as entidades não precisam de o fazer porque, atrás de um “voluntário” revoltado, existem filas e filas de “voluntários” dispostos a substituí-lo. E porquê?

Concluí o curso em Outubro de 2006. Já perdi a conta aos currículos enviados, respostas a anúncios e candidaturas espontâneas. Entrevistas já não são propriamente novidade. Já corri o país atrás do sonho do estágio profissional do Programa de Estágios Profissionais na Administração Local (famosos PEPAL). E percebo porque tantos e tantos colegas aceitam submeter-se a situações precárias, nas quais parece que estarem a trabalhar e a prestar um serviço que a instituição reconhece como fundamental é entendido como um favor que a instituição presta ao “voluntário“. Percebo porque vejo o interesse de quem entrevista pelos colegas que têm essa experiência. Percebo pela desilusão quando respondo que “não, voluntariado desse não fiz“. Percebo pela forma como me dizem “pois, assim não tem qualquer experiência“. Percebo porque esses colegas recusaram-se a travar uma luta que eu tentei travar, porque eles sabiam que era esforço em vão. Eles aceitaram as regras que eu e muitos outros ainda não queremos aceitar. Essas regras que ditam que psicólogo recém-licenciado em Portugal deve, após o curso, adquirir mais experiência trabalhando de graça.

E percebo, finalmente, porque eu também, passados 7 meses desde a conclusão do curso, passado um ano desde o início da procura de trabalho, também eu ansiosamente aguardo a oportunidade de trabalhar, ser psicóloga, mesmo sem ser remunerada.

Enfim… Como é depois do curso? O texto poderia expandir-se infinitamente, podíamos falar da acumulação de locais de trabalho – uma hora aqui, três acolá e mais duas além – sem que nenhum ou a acumulação de todos seja realmente rentável, segura. Podíamos falar dos recibos verdes. Podíamos falar das vagas que não abrem à anos para psicólogos nem em escolas nem nos serviços de saúde. Mas, hoje, a opção recaiu sobre esta ferida que tanto mexe connosco! Nenhum de nós concorda, nenhum acha correcto… e (quase) todos continuamos a perpetuar esta precariedade.

Bem, o blog é recente e não muito difundido, mas gostaria que partilhassem as vossas ideias: colegas que estão a terminar o curso, que expectativas têm; colegas que já terminaram, como tem sido o vosso percurso; a todos, o que pensam desta questão do trabalho não-remunerado, o que pensam e também qual a vossa disponibilidade para aceitarem um trabalho nessas condições.

Aqui nos encontraremos! 🙂

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