Temas de Psicologia

Outubro 15, 2007

Desemprego = Desespero ?

Filed under: Actividade Profissional — S. F. @ 3:36 pm

Acompanho com regularidade o Fórum dos Psicólogos. Vou, por lá, assistindo a discussões, ofensas entre colegas, faltas de respeito… Todos se acusam mutuamente pelo estado em que está a Classe enquanto Profissão – o desemprego, a exploração, o “voluntariado“. Aponta-se o dedo às instituições privadas, aponta-se o dedo a quem faz “voluntariado“, aponta-se o dedo na tentativa de responsabilizarmos alguém. Estamos no desemprego ou em situações precárias de trabalho e sentimo-nos a perder esperanças e forças, somos incapazes de ter o auto-controlo emocional que os outros (os leigos?) esperam de nós. Discutimos com pais, irmãos, tios e amigos. Esgotamos a paciência dos namorados, choramos nos seus abraços. E somos perseguidos com a voz: Nem parece que és Psicólogo(a)! E, na nossa frustração, vamos à procura de alguém responsável por esta avalanche de situações que somos quase incapazes de enfrentar. Será assim? Estará a classe numa espécie de frustração colectiva?

O meu exemplo: licenciatura (pré-bolonha!) concluída em Outubro de 2006. Uma extensa batalha – currículos entregues pessoalmente, enviados por correio e por email, candidaturas espontâneas, propostas de estágio profissional, respostas a anúncios, apresentação de propostas… Corridas quase diárias para os CTT na tentativa frustrada dos PEPAL, quilómetros percorridos em vão para entrevistas de 3 ou 5 minutos. Respostas negativas, ausência de respostas. Tenta-se um estágio com uma mínima bolsa, na tentativa de alargar conhecimentos e competências… O desespero mantém-se porque essas bolsas mínimas não alimentam ninguém e o tempo esgota-se perdendo-se a oportunidade de continuar a entregar propostas em mão. Passou-se um ano e houve apenas um investimento num Congresso – a tentativa de formação contínua que é asfixiada pela falta de dinheiro. Vou acusar quem? Vou apontar o dedo a quem pelo meu falhanço? Revejo inúmeras vezes o currículo à procura do que falha, escrevo cartas de apresentação diferentes consoante o lugar a que me apresento em vez de repetir a mesma história vezes sem fim de forma impessoal e desadequada ao contexto, consulto diariamente todas as páginas de emprego que conheço… O que estará a falhar?

Serão estas as questões com que se confrontam os colegas na mesma situação?

Aqui nos encontraremos!🙂

4 comentários »

  1. Somos muitos na mesma situação… Demasiados!!

    Parabéns pelo blog!

    Comentar por PsiPages — Outubro 28, 2007 @ 9:05 pm | Responder

  2. Somos muitos, e passamos pelo mesmo, pelo menos eu também passei.
    E não é fácil depois de finalmente aparecer uma resposta positiva,acreditarmos e começarmos finalmente a trabalhar. Existe o medo de que não se concretize e a tranquilidade só surge quando tudo está assinado e legalizado.
    Isto para dizer que passei pelo mesmo e também coloquei as mesmas e outras questões, dizeram-me “tem paciência, sabes que está mau”, e finalmente chegou o meu momento.

    Gostava ainda de referir outra opinião, que me deram num dos mil e um programas a que concorri(era mais ou menos assim): «enquanto as pessoas que estão à frente das empresas e dos serviços de saúde não entenderem que o suicidio mata mais que o cancro, vocês psicólogos não terão futuro. Se as pessoas soubessem o bem que estariam a fazer ao apostar na saúde mental e no bem-estar e qualidade de vida de muitos trabalhadores, dinheiro e vidas seriam poupados e o vosso trabalho seria reconhecido pelo grande valor que ele realmente tem».

    Acho que está tudo dito. Comportamentos mudam-se facilmente, mas para perdurarem primeiro é necessário mudar as aitutes e só assim a mudança ocorre.

    Muita força e tudo vai correr bem. Olha para trás, não é preciso muito dois a três anos, e lembra-te das dificuldades e de as ultrapassares e das alegrias que tens tido.

    Comentar por Catarina — Novembro 19, 2007 @ 5:51 pm | Responder

  3. PsiPages,
    obrigada pela visita, volta sempre🙂

    Catarina,
    as coisas parecem mais simples depois de resolvidas. A verdade é que olhando para trás, alguns dos obstáculos que tive de enfrentar parecem brincadeirinhas comparados com “isto”. Isto que é o facto de dedicar mais de um ano da minha vida a uma procura que se revela infrutífera. Quero perceber onde está a falha e não entendo, qual é o erro e não encontro. Não é só o suicídio que mata mais que o cancro. Problemas da ordem da saúde mental revelam-se autênticos flagelos, verdadeiros cancros na sociedade actual que insiste em voltar as costas ao bem-estar físico, social, psicológico…

    **

    Comentar por S. F. — Novembro 19, 2007 @ 6:13 pm | Responder

  4. Tive a sorte até agora de não passar porque passas, mas não posso deixar de te dar uma palavra.
    O problema não é teu.
    Podes melhorar como dizes que tens feito: alterar as cartas de apresentação, pesquisando informação sobre a empresa se souberes de que empresa se trata e colocando na carta algum detalhe pertinente sobre essa empresa.
    Podes enviar os C.V. com fotos, Mandar junto do C.V. um resumo do C.V. etc
    Espero que tenhas sucesso neste ano de 2008

    Psy

    Comentar por psycologo — Janeiro 21, 2008 @ 7:05 pm | Responder


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