Temas de Psicologia

Setembro 10, 2007

Jornal de Notícias – 10/09/2007

Filed under: Actividade Profissional,Actualidade — S. F. @ 2:59 pm

Tomo a liberdade de publicar aqui o artigo escrito por Helena Norte, para o Jornal de Notícias de hoje.

Já faltam mais chamadas de atenção assim.

Aqui fica também o link onde podem encontrar o original:

 http://jn.sapo.pt/2007/09/10/sociedade_e_vida/psicologos_centros_saude_reduziriam_.html

PSICÓLOGOS NOS CENTROS DE SAÚDE REDUZIRIAM A PROCURA E A DESPESA

Helena Norte

Psicólogos nos centros de saúde reduziriam a procura e a despesa

A presença de mais psicólogos nos centros de saúde poderia reduzir substancialmente a procura excessiva de consultas e até poupar cerca de 20% nas despesas. A razão é simples quem mais procura os serviços de saúde são pessoas oriundas de famílias problemáticas e sem suporte social, cujas queixas, em grande parte dos casos, têm causa psicológica ou social, conclui um estudo sobre os grandes consumidores de cuidados de saúde.

“Os membros de famílias problemáticas, isto é, com perturbações quer do foro psicológico – como depressão e ansiedade -, quer de dimensão biológica, são quem mais procura os serviços de saúde”, explica ao JN Maria Graça Pereira, docente do departamento de Psicologia da Universidade do Minho e co-autora da investigação realizada no âmbito do Grupo de Estudos da Família. Ou seja, quem sofre de stresse familiar, doenças psicológicas e sintomas físicos sem causa biológica aparente, bem como as pessoas viúvas, solitárias e com baixo nível económico, tende a ir mais ao centro de saúde.

Embora não existam estudos sobre a realidade portuguesa, numerosas investigações realizadas nos Estados Unidos, por exemplo, revelam que metade dos doentes procura o seu médico de família com sintomas atribuídos a stresse, sem que seja possível identificar claramente a origem. Mais só em 25% dos doentes que apresentam sintomas como dor de cabeça, insónias, fadiga, dores no peito e abdominais é que se encontra uma causa médica. Se a tudo isto se somar o facto de 70% das pessoas com patologias psiquiátricas apenas contar com a rede de cuidados básicos, facilmente se compreende a importância da integração de outros profissionais nesses serviços.

A pesquisa “Os grandes consumidores de consultas médicas um estudo de família” mostrou que, quando a coesão (grau de proximidade entre os membros da família) é fraca e os níveis de envolvimento afectivo e de comunicação são baixos, a procura dos serviços de saúde é maior, sublinha Maria Graça Pereira.

Outro indicador de saúde é o suporte social, ou seja, a existência, ou não, de uma rede de apoio, formada por familiares, amigos e vizinhos ou baseada na comunidade (lares, centros de dia, programas ocupacionais). “As pessoas que vivem mais sós vão ao centro de saúde nem que seja porque sabem que têm companhia na sala de espera”, explica a terapeuta familiar.

A presença de psicólogos nos centros de saúde poderia ajudar não só a tratar dos problemas de foro psicológico e somático, mas também algumas das doenças que mais matam em Portugal, como as cardiovasculares, a diabetes e até alguns tipos de cancro. Isto porque, tratando-se de patologias relacionadas com estilos de vida, o apoio de um psicólogo é fundamental para ajudar a alterar certos hábitos e optimizar a adesão à terapêutica, sublinha Maria Graça Pereira.

Nos EUA, constatou-se que a aposta em programas de terapia familiar e na colaboração entre médicos e psicólogos, ao nível dos cuidados de saúde primários, traduziu-se numa redução de 21% nos custos. Porque diminuíram as consultas de reforço e a prescrição de exames de diagnóstico e de medicamentos, explica a professora.

A integração de psicólogos em equipas multidisciplinares nos centros de saúde traria ganhos imediatos, mas também a médio e longo prazo, defende Telmo Baptista, presidente da Associação Pró-Ordem dos Psicólogos. “Muitos doentes poderiam beneficiar de uma intervenção que combinasse medicamentos e psicoterapia, de forma a aliviar os sintomas e tratar das causas. Só adquirindo estratégias para lidar com dificuldades é que se previnem as recaídas”, defende o docente da Faculdade de Psicologia e Ciências da Educação da Universidade de Lisboa. “Como não há respostas adequadas dos serviços de saúde, aumentam os gastos em psicotrópicos e as perdas de produtividade”, acrescenta. Ou seja, a prazo, ficava mais barato contratar psicólogos.

São apenas 98 no país

Há 98 psicólogos colocados nos centros de saúde, segundo os últimos dados da Direcção-Geral da Saúde. Isto significa que a cobertura, ao nível dos cuidados de saúde primários, é de um psicólogo para dez mil portugueses. Médicos e psicólogos concordam nos benefícios de uma abordagem multidisciplinar, tanto mais que as doenças de foro psicológico são cada vez mais frequentes. A eficácia do modelo biopsicossocial, que procura tratar cada paciente na sua totalidade sem desprezar a importância dos factores psicológicos e sociais na saúde física, é reconhecida também pelos profissionais de saúde portugueses. No estudo “Prática da medicina biopsicossocial”, de Graça Pereira e Alfonso Fachada, médicos e psicólogos concordam que a colaboração aproveita aos doentes.

4 comentários »

  1. Um excelente artigo! Escrito por quem bem conhece a realidade que a espera…
    Afinal Helena Norte não é só uma jornalista… este ano terminamos juntas o primeiro ciclo de estudos na área da Psicologia..
    Parabéns a ela, que sempre mostrou ser uma lutadora!

    Comentar por Nocaz — Julho 29, 2008 @ 11:44 am | Responder

  2. Uma lutadora, certamente, no seu próprio interesse. A senhora jornalistas escreve um artigo a propósito de um tema que a serve. Uma chica-espera sem noção de isenção jornalística, a dona helena norte!!!

    Comentar por Manuel — Novembro 20, 2008 @ 5:01 pm | Responder

  3. Manuel,
    com ou sem interesses próprios por parte da jornalista, penso que o mais importante neste artigo é o facto de chamar a atenção para as vantagens imediatas, a médio e a longo prazo do trabalho dos psicólogos nas instituições de saúde, nomeadamente em contextos de cuidados de saúde primários (centro de saúde) onde reduziriam efectivamente muitas das consultas que entopem os médicos de família sem que haja, tantas vezes necessidade.
    E além disso, eu que sou leiga no assunto, entendo que jornalismo é isto: informar o cidadão comum!

    Comentar por S. F. — Novembro 20, 2008 @ 10:49 pm | Responder

  4. percebo que para si o importante seja o conteúdo do artigo, até porque tem a ver com a sua profissão. no entanto, o que a jornalista helena norte fez é grave, violando a deontologia porfissional. não se escreve artigos sobre assuntos do interesse pessoal dos autores, dizem as regras. a jornalista ignora-as em proveito próprio e o jornal onde trabalha prefere ter mais uns caracteres a tapar um buraco.

    Comentar por manuel sousa — Novembro 24, 2008 @ 12:27 am | Responder


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