Temas de Psicologia

Maio 22, 2007

SIDA: Eu e os Outros

Filed under: HIV/SIDA,Livros,Saúde / Doença — S. F. @ 10:30 pm

Reflectir sobre livros que de alguma forma me marcaram. Eis algo que certamente abundará neste blog.

Sida: Eu e os Outros” é o nome de um livro editado pela Climepsi, da autoria de Victor Cláudio e Maria Mateus. Consiste na transcrição de um programa de rádio, transmitido pela Rádio Ocidente, com o nome que deu título ao livro e cujo objectivo era, justamente, falar sobre SIDA, questionar crenças, desenvolver um trabalho de prevenção.

Prefiro transcrever aqui alguns trechos do livro, espero suscitar a curiosidade de o ler, a vontade de o explorar.

“Assim, não há «grupos de risco», mas sim o risco de todos os que não tenham comportamentos seguros.”

“O risco é bom quando constitui um desafio a nós próprios e podemos sair vitoriosos, adquirindo novas capacidades ou conhecimentos. É inútil, gratuito e sem sentido, quando nos pode levar a perder capacidades, qualidade de vida e não nos dá novos conhecimentos.”

“A SIDA não é um problema dos outros, diz respeito a todos nós e todos somos responsáveis na sua prevenção.”

“A doença mortal, como uma morte anunciada, traz à luz os mistérios, os mitos e as crenças, mas também e, sobretudo, a necessidade do conforto, do amparo e do acompanhamento.”

“A morte, essa virá, mas é bom que nos encontre apenas quando ela quiser e não irmos nós ao seu encontro, por descuido.”

“Não é fingindo não ver que as coisas se resolvem.”

para transmitir um diagnóstico deste tipo … “não é preciso ser clínico, não é preciso ser médico, não é preciso ser psicólogo, não é preciso ser coisa nenhuma, basta ser-se humano.

“Um sábio muito sábio disse um dia que a liberdade é o poder de podermos escolher as nossas próprias amarras.”

“Tenham comportamentos seguros.”

Recomendo a sua leitura a todos nós, pessoas comuns, primeiros responsáveis pela prevenção da transmissão do vírus do HIV/SIDA. Aconselho a todos os profissionais da saúde, pela visão humana que transmite de uma problemática que diz respeito a todos.

Aqui nos encontraremos! 🙂

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Maio 8, 2007

E depois do curso? A questão do trabalho não-remunerado.

Filed under: Actividade Profissional — S. F. @ 3:55 pm

As primeiras ideias recaíram sobre livros ou temáticas em específico que tenham sido abordadas em conferências, seminários, formações ou até numa aula que até hoje se recorda. Enfim… Mas isso fica para futuros posts.

Por agora, falemos de um assunto que é recorrente entre os recém-licenciados e que preocupa também aqueles que estão a preparar-se para sair da faculdade.

Como é depois que se queimam/benzem as fitas?

A primeira palavra que ocorre é: DIFÍCIL! Muito difícil…
Vamos à procura e encontramos muitas portas fechadas. Alguns têm a sorte de ter uma boa ajuda, alguém que até consegue falar com o director de uma clínica/lar/empresa/colégio que até possa precisar de um psicólogo. Outros ficam a fazer estágio profissional nos locais onde fizeram estágio académico. Muitos acabam por se render a ofertas noutras áreas da psicologia (e esta polémica deixemos para outro post). Muitos mais vêm-se obrigados a abraçarem outras funções, outros trabalhos para ganharem algum dinheiro.

Face às dificuldades em exercer como psicólogo, muitos aceitam trabalhar de graça. Não gosto de utilizar o termo voluntariado, pois este termo refere-se a algo totalmente diferente! Refiro-me a situações precárias, em que psicólogos prestam serviços a instituições sem receberem qualquer remuneração, nem sequer ajudas de custo, como alimentação e transporte.

O que nos leva a aceitar estas situações?

Pessoalmente, opus-me e resisti a esta ideia durante muito tempo, especialmente durante o último ano da licenciatura e no período após o término da mesma. Acredito que, se todos os “voluntários” cessassem as suas funções, as entidades começariam a valorizar, começariam a respeitar e a remunerar pelos serviços prestados. Porém, as entidades não precisam de o fazer porque, atrás de um “voluntário” revoltado, existem filas e filas de “voluntários” dispostos a substituí-lo. E porquê?

Concluí o curso em Outubro de 2006. Já perdi a conta aos currículos enviados, respostas a anúncios e candidaturas espontâneas. Entrevistas já não são propriamente novidade. Já corri o país atrás do sonho do estágio profissional do Programa de Estágios Profissionais na Administração Local (famosos PEPAL). E percebo porque tantos e tantos colegas aceitam submeter-se a situações precárias, nas quais parece que estarem a trabalhar e a prestar um serviço que a instituição reconhece como fundamental é entendido como um favor que a instituição presta ao “voluntário“. Percebo porque vejo o interesse de quem entrevista pelos colegas que têm essa experiência. Percebo pela desilusão quando respondo que “não, voluntariado desse não fiz“. Percebo pela forma como me dizem “pois, assim não tem qualquer experiência“. Percebo porque esses colegas recusaram-se a travar uma luta que eu tentei travar, porque eles sabiam que era esforço em vão. Eles aceitaram as regras que eu e muitos outros ainda não queremos aceitar. Essas regras que ditam que psicólogo recém-licenciado em Portugal deve, após o curso, adquirir mais experiência trabalhando de graça.

E percebo, finalmente, porque eu também, passados 7 meses desde a conclusão do curso, passado um ano desde o início da procura de trabalho, também eu ansiosamente aguardo a oportunidade de trabalhar, ser psicóloga, mesmo sem ser remunerada.

Enfim… Como é depois do curso? O texto poderia expandir-se infinitamente, podíamos falar da acumulação de locais de trabalho – uma hora aqui, três acolá e mais duas além – sem que nenhum ou a acumulação de todos seja realmente rentável, segura. Podíamos falar dos recibos verdes. Podíamos falar das vagas que não abrem à anos para psicólogos nem em escolas nem nos serviços de saúde. Mas, hoje, a opção recaiu sobre esta ferida que tanto mexe connosco! Nenhum de nós concorda, nenhum acha correcto… e (quase) todos continuamos a perpetuar esta precariedade.

Bem, o blog é recente e não muito difundido, mas gostaria que partilhassem as vossas ideias: colegas que estão a terminar o curso, que expectativas têm; colegas que já terminaram, como tem sido o vosso percurso; a todos, o que pensam desta questão do trabalho não-remunerado, o que pensam e também qual a vossa disponibilidade para aceitarem um trabalho nessas condições.

Aqui nos encontraremos! 🙂

Maio 2, 2007

Apresentação

Filed under: Uncategorized — S. F. @ 5:13 pm

Este será um blog de divulgação, reflexão, partilha, dúvida…

Dirigido a quem escreve, a quem lê, a quem gosta e a quem quer conhecer um pouco deste mundo da psicologia.

Não pretende ser um espaço tipo “psicólogo online“, mas antes um espaço acima de tudo de partilha de ideias, debates e reflexões… quer sobre temas específicos da psicologia, quer sobre notícias da actualidade.

Aceitam-se sugestões, temas para debater. Mais do que textos escritos para se dirigirem a alguém, o objectivo é antes criar diálogos, debates, fazer perguntas e procurar respostas possíveis.

Aqui nos encontraremos. 🙂

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